14.10.09

who would I grow? *




* James Spader (in character, as E Edward Gray, Attorney at Law)

7.10.09

Sim, que eu também vou na procissão.






(...)
Já repararam nos efeitos tremendos que a música tem nos brônquios e nas laringes do nosso respeitável público? Vai-se ao teatro, ou ao cinema, e a saúde da população parece ser absolutamente normal, fora um ou outro catarro próprio da estação. Mas vai-se ao concerto, seja qual for a altura do ano, com chuva ou com sol, com frio ou com calor, e é uma desgraça: espirros, roncos, tosses de arrasar, narizes que se desentopem a tiro de canhão, é um tal cortejo de faringites, laringites, bronquites, sinusites, tuberculoses pulmonares, tosses convulsas, alergias ruidosas, que corta o coração! Sem falar nos casos de flatulência e de dispneia, que também abundam. Ora o que eu ainda não consegui determinar é se só vão ouvir música os doentes crónicos das vias respiratórias, ou se é a própria música que dá cabo da saúde aos frequentadores dos concertos. Aqui peço a ajuda de algum médico melómano para me tirar desta perplexidade. É que o problema é grave, não só porque diz respeito à saúde pública, como até porque tem sido motivo de espanto e de dó por parte dos artistas estrangeiros que nos visitam.

(...)

MARIA DA GRAÇA AMADO DA CUNHA
Desenho de JOÃO ABEL MANTA
da "GAZETA MUSICAL e de Todas as Artes" nº 112/113 de Julho/Agosto de 1960
Texto completo no blog da Associação Guilhermina Suggia: http://suggia.weblog.com.pt/

3.10.09

1.10.09






















Portrait d'une négresse
Marie-Guillemine Benoist
1800, Musée du Louvre


Endechas a Bárbara escrava
Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

U~a graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
É força que viva.

- Luís de Camões

endecha : composiçã poética de tom melancólico e triste em versos de cinco ou seis sílabas agrupados em quadras segundo os esquemas rimáticos ABCB, ABAB ou ABBA

29.9.09


Às vezes, passo horas inteiras
Olhos fitos nestas Traseiras,
Sonhando o tempo que lá vai;
E jornadeio em fantasia
Essas jornadas que eu fazia
Ao velho Douro, mais meu Pai.


Que pitoresca era a jornada!
Logo, ao subir da madrugada,
Prontos os dois para partir:
Adeus! adeus! é curta a ausência,
Adeus! rodava a diligência
Com campainhas a tinir!


(…)


Depois, cansados da viagem,
Repoisávamos na estalagem
(Que era em Casais, mesmo ao dobrar... )
Vinha a Sra Ana das Dores
"Que hão de querer os meus Senhores?
Há pão e carne para assar..."


Oh! ingênuas mesas, honradas!
Toalhas brancas, marmeladas,
Vinho virgem no copo a rir...
O cuco da sala, cantando. . .
(Mas o Cabanelas, entrando,
Vendo a hora: "É preciso partir").

(…)



Arouca, Setembro 2009

(...)

E a mala-posta ia indo, ia indo.
o luar, cada vez mais lindo,
Caía em lágrimas, — e, enfim,
Tão pontual, às onze e meia,
Entrava, soberba, na aldeia
Cheia de guizos, tlim, tlim, tlim!

Lá vejo ainda a nossa Casa
Toda de lume, cor de brasa,
Altiva, entre árvores, tão só!
Lá se abrem os portões gradeados,
Lá vêm com velas os criados,
Lá vem, sorrindo, a minha Avó.

(…)
Ó Portugal da minha infância,
Não sei que é, amo-te a distância,
Amo-te mais, quando estou só...
Qual de vós não teve na Vida
Uma jornada parecida,
Ou assim, como eu, uma Avó?




Viagens na minha terra

António Nobre, in

25.9.09

A une passante

video

La rue assourdissante autour de moi hurlait.

Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,

Une femme passa, d'une main fastueuse

Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;


Agile et noble, avec sa jambe de statue.

Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,

Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,

La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un éclair... puis la nuit! — Fugitive beauté

Dont le regard m'a fait soudainement renaître,

Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?

Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!

Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,

Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!

— Charles Baudelaire

24.9.09

Praia da Poça, Estoril - Inverno 2008

L'Homme et la mer

Homme libre, toujours tu chériras la mer!
La mer est ton miroir; tu contemples ton âme
Dans le déroulement infini de sa lame,
Et ton esprit n'est pas un gouffre moins amer.

Tu te plais à plonger au sein de ton image;
Tu l'embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
Se distrait quelquefois de sa propre rumeur
Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.

Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets:
Homme, nul n'a sondé le fond de tes abîmes;
Ô mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!

Et cependant voilà des siècles innombrables
Que vous vous combattez sans pitié ni remords,
Tellement vous aimez le carnage et la mort,
Ô lutteurs éternels, ô frères implacables!

— Charles Baudelaire

6.3.09

Depressão

é o que me dá quando numa conferência sobre museus, uma piquena tenta explicar ao C.O.O. do MoMA - e a todos os participantes, que também tiveram que ouvir - que, se calhar, a razão pela qual a entrada do British Museum é universalmente gratuita é porque, e parafraseio a menina, como eles têm peças dos Egípcios e dos Gregos, porque é que os Egípcios e os Gregos deveriam pagar para ver o que é deles, I don't know, maybe.

Um argumento perfeitamente lógico, está bem de ver. Até porque se há coisa que o BM tem são hordas de egípcios e gregos, os "bons", que, pelo que a Dra. dá a entender foram preservados criogenicamente desde a Gréca e Egipto Antigos para se poderem apresentar enquanto legítmos herdeiros, a entrar pelo museu adentro a gritar Não Pa-ga-mos! Já visitantes Britânicos e de outros países europeus e americanos (os "maus" ), têm que deixar o seu rim direito e/ou primogénito na bilheteira para ver as raridades do dito Museu.

Conversa de café em conferências deixa-me muito constrangida. E bastante irritada.

mesmo a calhar vem este artigo no DN (http://dn.sapo.pt/2009/03/05/artes/cidadaos_querem_reaver_tesouro_vendi.html).

Interessante ver como o argumento de uma venda ocorrida em 1922 parece consensual, explicando a manutenção das peças em Madrid, enquanto o argumento de uma venda legal, ocorrida em 1801 entre o sultão Otomano e um lord inglês, vinte anos antes da guerra de independência grega, trinta anos antes da fundação da Grécia moderna, é tido como pouco ético e, para alguns mesmo, ilegal...

10.2.09

while you worry whether Rihan(n)a was the victim...

... just get in your car and listen to this.




Alison Krauss, Robert Plant
Killing the Blues

26.1.09

zebda - tomber la chemise

17.1.09

we're on the road to nowhere...

video



o Estoril versão subúrbio

14.1.09

Sometimes French comes in handy...

... like when you are at the Louvre, in the Mesopotamian galleries walking down memory lane, remembering the dipshit archaologist who, before trading my heart for some Sumerian cylinder seals, set the bar so high that everyone else is just plain boring, and you come across this little one, living proof of Lavoisier's law (you know it, you know it, you KNOW you know it):

Le « juste souffrant ». Époque paléo-babylonienne, règne d'Ammiditana, 3e successeur de Hammurabi. Babylonie (Iraq)

« ... Que ton coeur ne soit plus mauvais...
Tu as goûté à la détresse retenue sur toi peu de temps,
Lorsque tu eus porté ce lourd fardeau, on t'a remis
en liberté... ta route est libre...
Désormais, n'oublie plus jamais ton dieu, ton créateur
Je suis ton dieu, ton créateur, ton secours...
Ne sois plus endurci... Donne à manger à qui a faim, à boire à qui a soif...
Que le mendiant gisant goûte à ta nourriture, la consomme et l'emporte...
La grande porte du bonheur t'es rouverte : rentres-y
librement, sois en paix. »

http://cartelfr.louvre.fr/cartelfr/visite?srv=car_not_frame&idNotice=24699

I'm sure that some archaologists will dispute this translation - too lyrical, perhaps, not Marxist, not enough info on crops and the like - but it is beautiful. (yeah, yeah, yeah I know that beauty is an irrelevant concept for arahcologists. whatever).

6.11.08

Boys DO cry. And when they do it well, they're men.

4.11.08

The future belongs to crap dancers!

20.10.08

Wanted

Managing Director
for
Major International Organisation Respected by Most Nations

Qualifications:
High libido.
Inability to keep junk in own trunk.

No sense of propriety required.


Given their proven commitment to the cause, the following need not apply:









Envy is a mortal sin.



This is my dream couple, with my dream blog, my dream creativity, my dream cakes.

(3 hail Marys coming... and some cupcakes too)

2.10.08

the best bond song...

... for a so-so bond movie

28.9.08

the end of an era...



ooops, can't find photo credits!